quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Dia de faxina na alma

"Dia de faxina na casa, (...) o quarto está cheio, mas só quem entra entende,
paradoxalmente, o vazio. A poeira, nos cantos, acumula. Olho com os olhos
cansados e o coração, no entanto, arde. Imagino, então, que o espaço ainda
possa ter sentido. Deve significar, na alma, muito mais do que o meu comportamento, aborrecido, evidencia.
É preciso muito esforço para me desprender das acusações! Esquecer meus argumentos tão bem estruturados. Libertar o meu perdão. Deixar a mágoa, simplesmente, passar. Isso tudo que, em uma péssimo conjunto, trazia você ainda.
Só quero guardar,(...) por fim, os bons momentos. O que sendo dito assim parece clichê, porém é exatamente o que meu coração suplica. Deixar os dias maus, no canto do quarto, esquecidos. Guardar o dia que conheci; o primeiro segredo compartilhado; os abraços na hora do sufoco; a amizade construída.
Empurro os móveis para o lado. Parece pesado, mas é só por hora. Com o tempo, eu sei, tudo se ajeita."


Eu amo falar em metáforas.

Escrito para quem, nunca, sairá do meu coração, embora tenha saído, certamente, dos meus dias.