quinta-feira, janeiro 30, 2014

Pensamentos soltos

"Janeiro sempre foi o mês importante no calendário dos vestibulandos. Todos os alunos sabem, pelo menos os que têm chance de passar, que o início do ano traz os resultados do vestibular.
Janeiro sempre foi difícil para mim. Minhas notas não eram, nunca, suficientes para ser aprovada. Não em Jornalismo. Não na UFRJ. Não no Rio de Janeiro. Não. Não. Não. O começo do ano era uma confusão de nãos. Como uma dança, interminável, de passos errados. "Onde eu errei?, "O que me faltou estudar?", "Por que escolhi a alternativa A?", "Pra que tanto tempo na redação?". Eu revivia todos os detalhes das provas, tentando encontrar o motivo que, mais uma vez, me mantinha longe dos portões da ECO.
Fevereiro era além do suportável. (...) Procurar, em pouquíssimo tempo, um pré-vestibular. Resgatar as forças. Recomeçar. Estudar. Estudar. Estudar. Estudar... até o primeiro exame da UERJ abrir o ano. E, assim, foi passando 2010.1, 2010.2, 2011.1, 2011.2, ... Como um milagre, 2013.2 chegou e eu estava lá. Chegou sem que eu notasse, trazendo, em uma quarta-feira comum, muita alegria.
Janeiro seguinte veio e eu, dessa vez, estava de férias. Não sei quando os resultados saíram, porque, certamente, estava aprendendo a mergulhar em alguma praia de Cabo Frio. Não pensei, também, sobre o aumento das notas de corte, porque eu já estava pensando que a minha cor preferida, agora, é o azul que vejo quando abro os olhos debaixo das águas de Arraial do Cabo. Não debati com ninguém a respeito das cotas, porque estava ocupada brigando com a balança -- vestibular me deu muitos quilos (!), além da dor de cabeça. Não. Não. Não. Um começo de ano com nãos felizes. Uma dança, finalmente, com os passos ajustados."


Obs: Trechos do da minha agenda.
Obs II: Meu segundo período começa dia três.
Obs III: Vou ser veterana e tratar meus calouros mal. Ops, bem.

terça-feira, janeiro 21, 2014

O que faz meu coração vibrar

"A parte do jornalismo, feita por trás das câmeras, é o que prende minha atenção. Vou além e digo que o jornal impresso é, ainda, o que faz meu coração arder -- e eu só entendo jornalismo assim.
Não quero jornalismo para ficar com um microfone na mão, impostando a voz, aparecendo na televisão. Não quero jornalismo, também, para corrigir o modo como as pessoas, coloquialmente, usam mim conjugando verbo. Não quero jornalismo para vender o sensacionalismo, para explorar a dor do próximo e, menos ainda, para construir uma verdade a ser comprada.
(...) Não quero dizer que sou jornalista sem ter tido a emoção de ver meu nome assinando uma matéria.
Eu escolhi jornalismo porque eu amo essa capacidade, incrível, que a profissão tem: trazer esclarecimento."

Escrito, em um guardanapo, há duas semanas.

K

Kintsukuroi -- "consertar com ouro"
A arte de reparar, com ouro ou prata", cerâmicas quebradas; o entendimento de que a peça é mais bonita por ter sido quebrada.


Para a amiga que eu amo todos os dias
da minha vida... inclusive nos dias que
a odeio.
Com saudade, M.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Ao fim do dia

"O não desceu amargando minha vaidade. Pisquei pensando ter perdido a consciência. Arregalei os olhos como se fosse possível retomar o controle da situação (ou, pelo menos, do meu temperamento).
Cruzei os meus dedos para não começar a batucar, com a ponta das unhas, a mesa. Uma dessas minhas manias que demonstram nervosismo.
Era minha hora de falar. Abri a boca e as palavras tropeçaram. "Eu t-tenho um diferenc-cial.", gaguejei. 'Droga, Marianne! Sem gaguejar!", me censurei em pensamento.
Levantei num pulo. Joguei o cabelo tentando ser casual. Ao sair da sala, sorri, genuinamente, ao guarda que havia me cativado com a piada das Marianas. "Boa sorte!", ele me desejou.
Só chorei quando estava com quem eu amava ao telefone. Só choro, agora, com quem entende meu choro. Só choro, também, com quem é capaz de me acolher.
(...)
Me vi, depois, rindo. Rindo das bobeiras que a Laíse diz. Rindo da risada, escandalosamente alta, que a Michelle tem. Rindo dos apelidos bobos que o Pr. Niva inventa. Rindo das desgraças com a Lelê. E (...) no meio da gritaria toda, eu pude compreender que mais importante do que o nos faz chorar é o que, ao fim do dia, é capaz de nos fazer sorrir. "