"O não desceu amargando minha vaidade. Pisquei pensando ter perdido a consciência. Arregalei os olhos como se fosse possível retomar o controle da situação (ou, pelo menos, do meu temperamento).
Cruzei os meus dedos para não começar a batucar, com a ponta das unhas, a mesa. Uma dessas minhas manias que demonstram nervosismo.
Era minha hora de falar. Abri a boca e as palavras tropeçaram. "Eu t-tenho um diferenc-cial.", gaguejei. 'Droga, Marianne! Sem gaguejar!", me censurei em pensamento.
Levantei num pulo. Joguei o cabelo tentando ser casual. Ao sair da sala, sorri, genuinamente, ao guarda que havia me cativado com a piada das Marianas. "Boa sorte!", ele me desejou.
Só chorei quando estava com quem eu amava ao telefone. Só choro, agora, com quem entende meu choro. Só choro, também, com quem é capaz de me acolher.
(...)
Me vi, depois, rindo. Rindo das bobeiras que a Laíse diz. Rindo da risada, escandalosamente alta, que a Michelle tem. Rindo dos apelidos bobos que o Pr. Niva inventa. Rindo das desgraças com a Lelê. E (...) no meio da gritaria toda, eu pude compreender que mais importante do que o nos faz chorar é o que, ao fim do dia, é capaz de nos fazer sorrir. "