terça-feira, novembro 26, 2013

Pode parecer insensato deixar meus olhos perdidos em você, correndo pelo seu corpo, explorando as linhas do seu pescoço - ainda que eu esteja quatro cadeiras atrás, tão longe, esquecida por todos.
Seu sorriso tem, frequentemente, esbarrado no meu.

Escrito em 2006.
(A história acaba, mas os textos ficam)

quinta-feira, novembro 21, 2013

Se a saudade perdura

"Hoje eu senti saudade do brigadeiro de madrugada, com creme de leite, com morango - e de todos os outros jeitos incríveis que você inventava. Hoje eu senti saudade de mexer no seu cabelo porque cheirava bem, mexer nos seus esmaltes porque nosso gosto parecia muito e mexer no seu armário porque eu sempre descobria um vestido ou casaco ou blusa que eu amava. Hoje eu senti saudade de rir das suas piadas, de contar as minhas histórias doidas e de cantar todas as músicas que você não lembrasse a letra. Hoje eu senti saudade, muita saudade, de ver nossos filmes idiotas juntas; aturar suas reclamações sobre Meninas Malvadas, repassar os detalhes da nova temporada de Grey's Anatomy e compartilhar algum texto perfeito da Martha Medeiros. Hoje eu senti saudade de estar ao seu lado e me irritar com sua demora para atender o celular. Hoje eu senti saudade do seu abraço e da forma, encantadora, que você arranjava soluções para os problemas da minha vida. Hoje eu senti uma falta insuportável de usar as suas roupas para dormir e de ter com quem conversar enquanto o sono não chega. Hoje eu senti saudade de você porque tive que explicar o que é carinho de cosquinha e o quanto isso é insuportável. Hoje eu senti saudade de você porque parece que ninguém mais serve pra mim.
Hoje eu senti saudade de você exatamente como venho sentindo a partir do minuto que o laço, por ter se tornado nó, foi desfeito."

Tudo ainda faz, infelizmente, muito sentido. 

Jesus, o bom pastor.

"E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz."
João 10:4

Você não é a minha religião. Você é o Amor da minha vida.

quinta-feira, novembro 14, 2013

E se?

"Eu começaria com um oi, casualmente, como se não tivesse notado o quanto nos perdemos no tempo sem nos cumprimentarmos. Por muitas vezes, já pensei em dizer um oi como quem não quer nada, para ver, de repente, o que despertaria em você.
Eu perguntaria, em seguida, como está sua rotina, suas notas, seus pais, seu cachorro. Perguntaria se o seu grau de miopia aumentou ou com quem você anda cortando o cabelo; se o seu casaco azul ainda está guardado e se você tem exagerado, final de semana, na bebida... Essas particularidades que, apenas por ser suas, (...) são tão interessantes."



Comecinho do último texto escrito pensando num quase-casal fofinho.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Tchau, José

Eu acho extremamente compreensível o absurdo de alguns. Ler o comportamento alheio é um dos meus passatempos preferidos. De tanto observar, sei que a síndrome das pernas inquietas não significa, necessariamente, nervosismo; da mesma forma que um sorriso, nem sempre, transmite felicidade. Já ouvi mentiras sendo juradas como verdade. Já vi boas atitudes de quem, em essência, aparentava carregar só o que era mau.  Ler o comportamento alheio é, realmente, um dos meus passatempos preferidos. Talvez seja por isso que dei a reparar em José*

José usa óculos de aros grandes e quadrados. Um clichê. O garoto me apareceu com o olhar de quem sabe muito de tudo. Ele as melhores palavras ao formar suas frases e, por isso, demora um ano para completar suas sentenças. O menino é extremamente compreensível em seus absurdos. Quer responder, com excelência, todas as perguntas feitas em sala; discutir a aula em francês; comentar a mídia ninja. (...)No começo foi desprezo, mas o menino me despertou afeto.

(...)
 Na apresentação de quem José fingia ser, eu tinha assento especial. Primeira fila e caneta na mão - para anotar as bobagens e gargalhar depois.