Meus olhos estavam fixos no corredor vazio. O vazio do corredor era bom. Trazia conforto, porque transmitia serenidade. SE-RE-NI-DA-DE. Dividi as sílabas mentalmente. "Eu preciso ter serenidade, porque só quem é sereno consegue fazer a questão vinte e dois.", pensei rabiscando minhas iniciais no canto da prova. Grudei meus olhos na questão vinte e dois tentando, por um milagre divino, encontrar qualquer pista que me fizesse chutar a alternativa certa. Vinte e dois minutos depois eu ainda estava esperando a intervenção divina para fazer a questão vinte e dois. Coincidência infeliz com o número vinte e dois. "Vou, quando sair daqui, pular do vinte e um para o vinte e três.", fiz uma piada pra não chorar.
Meus dedos, trêmulos, estavam escondidos na minha luvinha rosa choque. Nervosismo acentua muito o meu problema de dedos gelados. O dia, frio, também não cooperou para a melhora do meu caso. "Está frio mesmo?" -estiquei o pescoço para conferir a janela. Chovia no céu nublado - "Está frio, sim. Está chovendo até."
Mais vinte e dois minutos passaram. Conferi o relógio. Achei que fosse vomitar. Mais vinte e dois minutos? Ah, não. Quarenta e quatro minutos. "Em matemática estou bem", elogiei meu rápido desempenho com o cálculo.
Pulei a questão. Pelo visto, teria que errar dezesseis para tirar A agora.