Olhou, mas fez que não olhou. Riu dela mesma. Como era boba!
Começou tentando esticar o pescoço Arqueou uma das sobrancelhas. Apertou os olhos.
Entendendo que era hora, se levantou toda empinado. Metida que só ela! Caminhou com leveza imaginando (e torcendo) que estivesse sendo observada. Quis jogar os cabelos para o lado, mas lembrou que não tinha tinha tempo de escová-los naquela manhã. Droga.
Como uma grande piada do destino, sua bolsa caiu bem no meio do seu desfile particular. Bem no meio da biblioteca. Bem na frente dele. O zíper, sem dente, fez com que todos os itens da sua bolsa caíssem com aquele barulho horripilante. Olhares aborrecidos despertaram de suas respectivas leituras para a garota. "Caraca! Que azar" - ela sussurrava, fragilizada, tentando catar seus pertences.
Sobre a cena pairou outro par de olhos. A menina com a bolsa no chão, de expressão aborrecida, sempre o fazia rir. Boba! Ele se levantou, jurando ter tirado a sorte grande, e abaixou-se perto dela para recolher os pertences, espalhados, da menina. Perdeu o fôlego quando sentiu o perfume da garota.
Ela se virou bem a tempo de encontrá-lo buscando pelo ar. Foi quando seus olhos, cansados de fugir, se encontraram.