terça-feira, agosto 30, 2011

Encontro

Olhou, mas fez que não olhou. Riu dela mesma. Como era boba!
Começou tentando esticar o pescoço Arqueou uma das sobrancelhas. Apertou os olhos.
Entendendo que era hora, se levantou toda empinado. Metida que só ela! Caminhou com leveza imaginando (e torcendo) que estivesse sendo observada. Quis jogar os cabelos para o lado, mas lembrou que não tinha tinha tempo de escová-los naquela manhã. Droga.
Como uma grande piada do destino, sua bolsa caiu bem no meio do seu desfile particular. Bem no meio da biblioteca. Bem na frente dele. O zíper, sem dente, fez com que todos os itens da sua bolsa caíssem com aquele barulho horripilante. Olhares aborrecidos despertaram de suas respectivas leituras para a garota. "Caraca! Que azar" - ela sussurrava, fragilizada, tentando catar seus pertences.

Sobre a cena pairou outro par de olhos. A menina com a bolsa no chão, de expressão aborrecida, sempre o fazia rir. Boba! Ele se levantou, jurando ter tirado a sorte grande, e abaixou-se perto dela para recolher os pertences, espalhados, da menina. Perdeu o fôlego quando sentiu o perfume da garota.
Ela se virou bem a tempo de encontrá-lo buscando pelo ar. Foi quando seus olhos, cansados de fugir, se encontraram.

sábado, agosto 27, 2011

Bem guardado

As vezes, só. As vezes, como se fosse uma parte bem pequena. Sem nome,
sem molduras, sem qualquer tipo de intenção, sem qualquer aparente
importância.
De tão pequeno cabe em mim. Apenas por ser pequeno cabe.



E por caber tão bem em mim parece ser meu. Pequeno. Bem guardado.

sábado, agosto 20, 2011



 "(..) É que eu tenho todos esses
milhões de sonhos, que tem um
pedacinho partido de você em
qualquer cantinho.. e olha,  todos
esses milhões de sonhos se vão
quando você se vai.
Dá pra deixar meus sonhos aqui?"

terça-feira, agosto 16, 2011

Remetente

Eu entendo a forma como o coração se parte (e bem!) nos dias em
que você julgava ser impossível. Sei como é falar, falar, falar..
e mesmo cansada, tentar. Com todos os motivos desencorajadores,
amar. O que realmente não entendo é deixá-lo ir. Você sabe que
não consegue sem ele. Sabe que os sonhos perdem o sentido.
Da mesma forma que entendo sua breve "fugidinha" para conhecer
o mundo que havia por trás daquelas portas de vidro. É normal
ter curiosidade, eu sei. Sei também que suas asas nasceram da
revolta, você se foi mais por pirraça à vontade.
Eu entendo, e muito melhor, Deus.
Só não entendo por que tão longe? E até quando?
E não, não me explique.
E, mais uma vez, eu entendo toda sua confusão a respeito do
que ser, e se vai ser.. e até mesmo porque vinte anos são (muitos)
poucos anos pra decidir quem você é, e como vai se encaixar
num possível mercado de trabalho. Entendo todo cansaço
com longos anos de vestibular. Entendo suas lágrimas quando
você beira o desespero contando os dias pra primeira fase
da UERJ. Entendo tudo isso.. só não entendo como é desistir.
Não entendo, não. E não quero que você me explique nunca.
Como você escreveu é madrugada, e como você sabe: o sol já vem.


Para a menina que chorou há alguns meses no décimo andar

quarta-feira, agosto 10, 2011

Vi, de relance no espelho, aquela linha que você tem no seu braço.
Vi as maçãs do rosto bem puxadas para o lado, com aquela cara de
gato, que sempre me fez rir. Vi, muito mais do que qualquer característica
sua externa, seus defeitos e manias impregnados em mim. Entendi os
olhos arregalados de quem convivia comigo usando "Você é todinha a
sua mãe" quando eu agia da forma mais natural que sei. Me dei conta do
quanto eu realmente fico feliz com a comparação.
Você é a mulher mais incrível. Eu vou ser também, mamãe, um dia.

sexta-feira, agosto 05, 2011



"Contudo o Senhor mandará
sua misericórdia de dia, e de
noite a sua canção estará
comigo: a oração ao Deus 
da minha vida."
Salmos 42:8

quarta-feira, agosto 03, 2011

Me apareceu com a bermuda que eu odeio, a camisa que
eu odeio, com o chinelo que eu odeio, e o sorriso que
(no momento, sinceramente) odeio... e eu vi que amava
esse idiota, diferentemente de qualquer idiota que tenha
passado por mim ao longo desses anos; e eu entendi que
nenhum idiota era como esse idiota parado na minha
porta: tão lindo, tão chato, tão inteligente, tão engraçado, e
mais todos os pequenos 'tãos' que me fascinavam.
Quis esse idiota na minha vida idiota pra sempre. Sempre.

(Beijei o idiota!)

Pra sempre meu bebê


Ainda bem que sua mão é gorducha e grande, Lipe, ainda bem!
Tenho tanto amor pra te dar, que em mãozinhas pequenas de
dedinhos finos, não caberia. É muito amor. É muito seu, também.
Senti algo direto no peito, como um grande impacto, no dia
em que vi você com aquela manta verde. De tão gordo,
não tinha pescoço; bochechas muito lindas e 'fartas' vieram
contigo naquela mantinha verde, e achei que fosse impossível
existir outra coisa que eu pudesse amar mais.
(..) Pra sempre meu bebê.

"Beijinho na Anne.."