quarta-feira, maio 14, 2014

2008

"Eu venho disfarçando minha total devoção a você. Finjo não saber da sua música favorita, ou do shampoo que você usa e, muito menos, do lugar onde você se senta durante as aulas de biologia. Finjo não reparar no seu sobrenome e na sua adoração, nos nossos intervalos, ao biscoito Fofura. Finjo não achar graça de todas as coisas que você já descobriu que me fazem rir. Finjo que mudei - finjo que você não saberia mais me fazer feliz.
Eu venho mentindo sobre nós dois já ter sido esquecido. Reviro os olhos quando você passa simulando minha vontade de te abraçar. Respondo ao seu "Bom dia" de maneira, formalmente, fria só para mascarar o quanto você aquece minha alma -- ainda. Cruzo minhas mãos, sobre o colo, quando você se senta ao meu lado: quero conter o impulso de fazer cafuné na sua cabeça. É difícil domar meus sentidos; eles não entendem o nosso "seguir em frente".
Ignoro seus sorriso. Não retorno suas ligações. Desvio o meu olhar. Troco de calçada se estamos próximos a nos esbarrar. Aceno para você com suas novas namoradas por aí. São formas, racionalmente, calculadas para o meu coração sarar. "
Dezembro de 2008

Joguei fora o papel, mas eternizei o texto aqui. Saudade de quando eu escrevia essas bobeiras como se fossem as mais sérias do mundo.