PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade.
Os olhos podem estar atentos, mas sempre escapa. Um obsessiva com c,
um a gente junto, uma quebra horrível de paralelismo, uma pontuação
inadequada. Os olhos, realmente, podem estar atentos ao erro do outro
(eu quis dizer), mas o nosso erro sempre nos escapa.
Vejo essas coisinhas engraçadas rolando no facebook - "Perco o amigo,
mas não perco a correção ortográfica!" - e chego a rir, confesso. As risadas,
no entanto, não anulam o fato de ser um tanto quanto estúpida, a colocação.
Acho estúpido corrigirmos alguém se, para início de conversa, falhamos em
algum ponto com o português. Duvido que dentre um zilhão e quatrocentas
mil regras o indivíduo saiba todas a ponto de ser considerado O corretor
ortográfico, pronominal, sintático. Entendo, por outro lado, que arrepia o
pêlo do braço ver substantivos terminados em ice escritos com dois s -
como chatiSSe, por exemplo. Só que, de fato, é preciso nos
conscientizarmos que sempre há uma falha, ainda que mínima, lá. E isso,
felizmente, nos retira a obrigação de ser professor do mundo todo.
Ah! Na próxima vez, é preferível não perder a piada se, realmente, for
necessário deixar o amigo de lado.