segunda-feira, dezembro 24, 2012

Voltaremos

O sol nascia meio de mal. Um vento gelado entrava na nossa barraca e
eu acordava com meu namorado arrumando a confusão da noite anterior.
Ele sorria quando me via de olhos abertos.
"Bom dia, meu amor!" - a frase que iniciava meu dia. Lindo.
Dividíamos polenguinhos no nosso café da manhã,  fazendo graça
sempre com a dona do Camping. Em seguida, as praias nos esperavam,
prontas a me maravilhar: a combinação do verde das folhas e o cinza das
águas era realmente espetacular as sete horas.
Os raios de sol brilhavam lá pelas onze. Mô e eu já estávamos na água
bem antes deles... A minha mania de mergulhar com a bunda pra cima
rendia muita briga lá na água. Léo e seu ciúme.
Pouco dinheiro e muita fome nunca combinaram, mas nosso almoço era
assim e a gente até dava risada da nossa pobreza passageira.
Nós corríamos pra rua, depois da tarde, e achávamos interessante tudo
na ilha. As argentinhas, seu Madrugada, os velhinhos do xadrez, a música,
as mini-festas... Tudo despertava nossa atenção.
A nossa barraca, embora com as milhões de pedras perfurando nossos
pulmões
(risos!) e o frio de 0 grau, se tornava aconchegante com o meu
par de meias e o corpo do Léo sob o meu. A gente conversava, conversava,
conversava, até o olho ir pesando de sono. E então tudo começava outra
vez. Nossa rotina louca de uma semana.
Os problemas nós deixamos lá fora. Em Ilha Grande só o que nos importava
era o sol, a Rosa fake, o dinheiro do pão, a tv que passaria Big Brother Brasil
e, sobretudo, a companhia um do outro.
Ilha Grande se tornou nosso mimo e o primeiro lugar quando se é relembrada
a melhor viagem. Voltaremos.