quinta-feira, novembro 29, 2012

Magic

Pra lá, pra cá. Lembro de balançar você nos meus braços.
Seus olhos quase se fechando para mais uma soneca da tarde.
Os meus, bem abertos, adorando você em tudo.
Seu pai me chamava quando você chorava. Eu ninava você e,
milagrosamente, um bocejo escapava da sua boquinha
anunciando minha vitória. Uhul!
Anos mais tarde foi a vez do seu irmão. Pra cá e pra lá. Mais
um bebê que eu embalava com os braços.
Os olhos verdes dele eram impossíveis de fechar. Balançava,
dançava... e nada. Lipe continuava ali, olhando pra mim e
desafiando o sono. Adorável, ainda que sua falta de sono me
roubasse o bom-humor. Descobri que ele gostava de música:
passei, então, a cantar todas as canções que considerasse
apropriadas para um neném.
Deu certo. No refrão de cinco patinhos foram passear Lipe
já dormia.
Estar ali com vocês era o meu momento de mágica.

sábado, novembro 17, 2012

Aquarela


Nossas cores se confundem.
Nossas telas em branco, num desses cuidados de Deus, foram
transformadas em uma só. A pincelada do vermelho que coloria
seu casaco, envolveu meu quadro e explodiu em cor nas minhas
bochechas: sinal da vergonha que sentia depois do primeiro beijo.
O preto do seu cabelo misturado ao amarelo do meu esmalte
naquela madrugada. Minhas mão trêmulas fazendo o cafuné mais
desajeitado que consegui.
O verde dos seus chinelos, (..)o rosa das flores que você me dá, o
azul da sua cama, o laranja do pôr do sol do dia 10: nossa linda
aquarela.


16/11/12
Para o mô. Sempre.
Beijos!

quarta-feira, novembro 07, 2012

Deixar de ser

Esquecer. Deixa de ser. 

Quando eu me dei conta de que estava ali quis sorrir. Olhei com
os olhos vivos por todo campus. O café da esquina, as árvores
tão bonitas (e verdes!), os alunos desconhecidos dessa minha
vontade de perguntar a eles como eu chegava ali também.
O coração bateu na barriga. Um jeito que só bate quando meu
namorado aparece depois de dois dias de saudade.
Em tudo me invadiu essa sensação: pertencimento. Eu pertencia
à praça, à rua, aos banheiros com os recadinhos de amor.
Pertencia porque meu coração sinalizava. Pertencia, por direito.
Junho de 2012

Meus passos foram refeitos, mas não pareceu ser suficiente.
Você tomou minha sensação de pertencimento das minhas
mãos, e sabe-se lá o que fará..
E enquanto tentam calar a voz, o peito se aperta só para
tomar fôlego e explodir num grito melancólico... O eco
se propaga até virar Eco de verdade.
Segunda-feira pós-Enem.


Esquecer. Deixar de ser. Perder..Você