sábado, setembro 24, 2011

Meus pedacinhos

Prefiro o som da sua gargalhada à qualquer outro no mundo.
Amo a maneira como seu nariz torto enruga quando começo
com as minhas cosquinhas: você fica tão lindo com um nariz
inclinado um tantinho à esquerda, com um sorriso um pouco 
mais aberto que o de costume .. Eu seria capaz de passar 
a vida inteira te fazendo sorrir, te fazendo estremecer quando 
a canção da formiguinha começa (risos). 
Gosto de "perder segundos" do meu dia analisando seu horror 
à cosquinhas (...)
Você é cheio de pedacinhos. Pedacinhos de tantas coisas 
que eu quero e que nunca soube dizer..

Eu te amo com todo coração que tenho.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Deus ouve

Com a palma da mão, montei um esconderijo para meus olhos inchados. Sabia que estava sendo ouvida. Algo no fundo do coração indicava. Senti um sussurro. Quem sussurrou? Olhei ao redor.
Estou sendo ouvida. Mais uma vez a certeza. Estou sendo ouvida?
- Oi? -quis testar o canal- Você tá me ouvindo?
Por milésimos senti como se fosse ter uma resposta objetiva. Os céus, na minha mente criativa, se rasgariam diante dos meus olhos. O que vi, no entanto, não foi percebido com os olhos. Complexo demais para a compreensão de quem nunca passou pelo mesmo. Verdadeiro e intenso de uma forma que eu não saberia, jamais, descrever com precisão.
Sim, Ele ouvia. Ele ouvia e, mais do que ouvir, prestava atenção. Deus estava interessado em mim.  Tenho sido alvo do amor Dele e de Seu cuidado bem antes de que eu me desse conta. Entendi, a partir de então, o trecho da bíblia que traz a voz de Deus em uma brisa. Através desse vento suave, soprando certezas e declarações de amor, eu soube: Deus me ouvia sempre.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Prova da uerj

Meus olhos estavam fixos no corredor vazio. O vazio do corredor era bom. Trazia conforto, porque transmitia serenidade. SE-RE-NI-DA-DE. Dividi as sílabas mentalmente. "Eu preciso ter serenidade, porque só quem é sereno consegue fazer a questão vinte e dois.", pensei rabiscando minhas iniciais no canto da prova. Grudei meus olhos na questão vinte e dois tentando, por um milagre divino, encontrar qualquer pista que me fizesse chutar a alternativa certa. Vinte e dois minutos depois eu ainda estava esperando a intervenção divina para fazer a questão vinte e dois. Coincidência infeliz com o número vinte e dois. "Vou, quando sair daqui, pular do vinte e um para o vinte e três.", fiz uma piada pra não chorar.
Meus dedos, trêmulos, estavam escondidos na minha luvinha rosa choque. Nervosismo acentua muito o meu problema de dedos gelados. O dia, frio, também não cooperou para a melhora do meu caso. "Está frio mesmo?" -estiquei o pescoço para conferir a janela. Chovia no céu nublado - "Está frio, sim. Está chovendo até."
Mais vinte e dois minutos passaram. Conferi o relógio. Achei que fosse vomitar. Mais vinte e dois minutos? Ah, não. Quarenta e quatro minutos. "Em matemática estou bem", elogiei meu rápido desempenho com o cálculo.

Pulei a questão. Pelo visto, teria que errar dezesseis para tirar A agora.