segunda-feira, junho 27, 2011

Esconderijo



Fiz um enroladinho com o edredom sozinha hoje. Meu namorado
não estava aqui pra segurar uma das pontas. Fiz sozinha mesmo.
Não ficou muito bom, não. Meus pés ficaram de fora e isso me
deixa com muito mau-humor; odeio pés gelados.
Gosto de me enfiar no edredom nesse frio. Acho que o quentinho,
que em alguns minutos te invade, ajuda a pensar. E, sinceramente,
eu tenho precisado pensar. Pensar muito.
Dei pra achar que meu cobertor é mágico. E não só mágico, mas
sim um grande amigo. Converso com ele quando estou sozinha..
Me sinto sozinha as vezes e gosto. Gosto da minha companhia.
Quase nunca prefiro o silêncio. Quase nunca. Gosto de estar
sempre falando (na verdade, eu sempre estou falando por não
saber o momento de ficar quieta), e rindo, e gritando até.. mas
sou mais de silêncio agora. Um silêncio triste.
Por todos esses motivos, acho que meu cobertor me entende,
acho que é meu amigo, e por isso me enfio nele, e só..
O telefone toca, alguém lá fora chama, e eu com o cobertor sobre
a cabeça.. Vou ficar por aqui um tempo, mundo. Vou ficar.

quarta-feira, junho 22, 2011

"Em mente eu só tenho você"

Queria pegar você e enfiar em todas as minhas memórias.
É ruim, tão ruim, olhar para trás e não te achar.
Recontando nossa história devagar, mas dessa vez apenas
para nós dois, vemos que já estivemos no quase durante
algumas vezes.. Nós quase nos encontramos no Araújo
Pinho, na festa daquela sua prima chata; Nós quase fizemos,
também, o curso Educandus em 2008; Nós quase ficamos
juntos aquela vez depois da minha segunda UERJ; Nós
quase um tanto mais... até o dia em que saímos do quase,
e você sussurrou que aquele beijo em mim já deveria ter
sido dado há muito tempo.

Eu senti falta de você durante todos os minutos. Senti falta,
até mesmo quando não sabia que era você, logo você, toda
aquela minha listinha de homem ideal, escrita na parte de
trás dos meus cadernos, no ginásio.
Queria voltar atrás. Recomeçar os meus passos de um jeito
que me fizesse ter você muito mais cedo.

-Mais um texto pra você-

sábado, junho 18, 2011

O que eu aprendi sozinha

Preciso desse momento só para fechar os olhos. 
E eu que sempre tive medo quando criança, 
prefiro o escuro durante esses minutos, à encarar 
ambas possibilidades. Não quero, não.
E mais uma coisa, só essa, prometo: Crescer dói.

terça-feira, junho 14, 2011

Dream

- Mas, mô, o nome da menina eu decido
- Tá. Só que Talita é nome de puta.
- Leonardo, você quer o que, então?
- Acho Maitê bonito.
- Acho nome de puta também, só que francesa.
(Risadas)
- Puta por puta, francesa é mais chique!
- Puta por puta, eu fico com Talita, porque
seria brasileira, e eu sou nacionalista.
- Você é é teimosa, Marianne.
- Mô, que tal Manuela?
- Manu? Ela vai ser louca
- É verdade, vai jogar o carro do penhasco
(Mais risadas)
- Emanuele?
- Que nome de pobre, Leonar...
- ESSE ERA O NOME DE JESUS!
- Querido, Jesus se chamava EMANUEL, e não Emanuele.
- Bem colocado. Leu a bíblia hoje?
- Li
- Excelente! E Isabela?
- Isabela? É bonito, Isabela. A gente pode chamar de Bela.
- E colocar dois l's, mô.. que nem no seu nome com dois n's.
- É, pode..
- E como ela vai ser gordinha, quando ela vier correndo me
abraçar, eu vou dizer Bolin.. ops, Belinha..
(Crise de riso)

E um sorriso meu depois de tudo isso.

sexta-feira, junho 10, 2011

De mala na mão

O portão era estreito com maçanetas altas demais. Meus olhos
achavam tão difícil passar por aquela porta, que foi preciso um
olhar diferente pra que eu pudesse tentar mais uma vez.
Da primeira vez que eu trilhei esse caminho, não trouxe comigo
nem um lenço. Mas queria tanto passar por essa porta! O
lado de lá era tão bonito!
Eu quis, mas não se abriu. E eu fiquei de fora, de coração partido,
tentando acenar para as pessoas que via lá dentro.
Refiz meus passos em outro momento. Dessa vez  trouxe não
só um lenço como também uma malinha. Coloquei minha malinha
no chão, a fim de que pudesse passar pela porta, já que agora
estava quase tão alta quanto ela.. E que nada! Só consegui tocar
a maçaneta (fiquei na pontinha do pé) e caí.
Corri chorando pra longe daquela porta. Que raio de porta que
não abre pra mim! Poxa, eu quero entrar aí! Que coisa!
Eu já estava indo embora. De novo. Quando resolvi voltar.
Olhei pra porta e fiquei brava. Peguei a minha malinha pequena e
sentei bem à frente das grades. Ou eu entro ou fico aqui pra
sempre. Daqui eu só saio pra fazer parte do outro lado.

Finquei meus pés ali. Ou eu passo pela porta ou fico lá, parada
em frente à grade, sentada na minha mala, pra sempre. Dali eu
só saio... pra fazer parte do outro lado.

sexta-feira, junho 03, 2011

O raio da folha no fichário!

Dizem que sou muito ciumenta. E quando dizem muito ciumenta, arregalam
os olhos no muito. Fico rindo com a mesma resposta e reação de todos.
Sou uma ciumenta normal. Não acho que seja preciso a ênfase no muito.
Odeio sentir ciúme: os olhos enchem de lágrimas, o estômago embrulha,
e você não sabe se mata ou se morre. Não é mole, não.
E não precisa ser ciúme do seu namorado somente. Eu, por exemplo,
tenho ciúme do meu irmão, das minhas amigas, dos meus pais, do meu
edredom, do meu espaço... e de todo resto que acredite ser meu.
Ciúme só passa quando você fala. Não adianta guardar porque ele não
vai embora. A criatura fica ali, escondida, pronta pra aparecer e te
atormentar novamente.
Não é questão de insegurança. Ou talvez seja. Eu sei lá.
O que eu sei é que estou com os sintomas descritos acima sobre
sentir ciúme, principalmente a parte do "você não sabe se mata ou se
morre", e a respeito dessa situação não há nada mais que possa ser feito.
(..) Nada, a não ser óbviamente, enlouquecer de ciúme.

quarta-feira, junho 01, 2011

Minha primeira vez no TJ

Eu não gosto de dividir Jesus com ninguém. Jesus, pra mim, é só meu.
É feio esse pensamento, eu sei. É feio e é pecado em algum lugar da
bíblia, eu também sei. Mas não gosto. Jesus é só meu e pronto.
Entretanto, hoje, quis dividir Jesus. Achei que ela iria gostar de ter.
A senhora de camisa verde no banco mexeu muito comigo.. tanto,
tanto, tanto, que me fez querer dividir o que tenho de mais bonito.
Ela falava do irmão morto com a voz meio embargada. Falava que
a justiça dos homens era falha, mas a de Deus nunca seria.
Ouvi tudo com muita atenção; Eu tenho essa mania insuportável
de reparar em qualquer pessoa, em qualquer lugar.. Ouvi tudo.
Me aproximei e sentei ao lado dela sem jeito, quando percebi já
estávamos conversando. Que amor de senhora!
Separei mentalmente tudo que tinha a falar sobre Deus, sobre
a história de amor escrita na Cruz, sobre fé... Foi quando a
senhora começou a me falar com uma esperança, de um Deus que
jamais a deixaria só; Me falou de um Deus que é justo, e que
nunca esquece de nós; Me falou do amor de um Deus que nos
envolve pra sempre, como um neném.
Eu fiquei quieta então, olhando pro chão, deixando as palavras
ditas entrarem no meu coração. Aquela senhora também quis dividir
Jesus comigo. Não consegui segurar as lágrimas.

Fui embora sem saber se o culpado pela morte do irmão da senhora
de blusa verde, havia sido condenado ou não. Não sei como ela está
agora. Mas tenho certeza, que assim como me disse de uma forma
bem simples, ela não estaria só.

Marianne Menezes
(Escrito com amor, pensando na senhora do julgamento de hoje)