sexta-feira, março 22, 2013

Vinte e dois de março

Lembrando das suas músicas, corri os dedos pelo seu violão.
Minha mãe não se desfez desse pertence, em parte por ter sido
escondido por mim, em parte por ser tão a sua cara que não
coube ser de mais ninguém.
Eu nunca amei as suas músicas. Não gostava do jeito como você
rimava tudo certinho ao final dos versos. "Amarelinho, pretinho
ou branquinho" sempre foi além do suportável aos meus ouvidos.
Amava, no entanto, sua voz ecoando pela casa.
Além de ser bonito por si só, seu timbre de voz parecia perfeito
para o meu. Era maravilhoso sentarmos todos juntos para perder
tempo cantando, cantando, cantando.
Nós discordávamos a respeito de muitos assuntos, mas a música
sempre funcionou como nosso ponto de encontro.

Não sei tocar violão, mas o seu eu "arranho" quando me sinto
de você.
Sem você.
Com apenas uma palavra, tentei compor uma canção por causa de
hoje; é pra ver se eu ainda não esqueci como se pronuncia, é pra
ver se ainda me traz um pouco de você.
Um nota, uma só palavra - pai.

Seria mais um aniversário.