quarta-feira, outubro 10, 2012

Freixo 50

Aos oito anos, quando ganhei o livro, fiquei absolutamente encantada
com a história da Princesa Rapunzel. A cada página o conto se vivificava
na minha mente: os rostos iam ganhando formas e vozes.
Quando o príncipe que resgataria Rapunzel do alto da torre apareceu,
foi tiro certeiro no meu coração. Me apaixonei pelo príncipe e, a partir
dali, criei o hábito de demorar a ler os capítulos a fim de que o livro
dure mais tempo
.
A partir do momento que comecei a acompanhar a carreira política de
Marcelo Freixo, me apaixonei por ele como uma vez, há mais de dez
anos, me apaixonei pelo príncipe da minha história infantil preferida.
Com toda esperança que só um coração de criança tem, eu apostei que
Freixo salvaria, da torre de corrupção e descaso, o Rio. Acreditei que os
bruxos, agora vestindo terno e gravata, seriam derrotados como ao final
de Rapunzel. E durante essa releitura do meu conto preferido, não me dei
conta que a Rapunzel, não queria ser salva agora. Rapunzel já estava
conformada.
"Não adianta lutar pra descer dessa torre, se há tantas pessoas como a
bruxa por aí..." Rapunzel pensava. Coitada!
A Princesa passou tanto tempo confinada que sentiu medo de se libertar
quando a chance chegou. A escuridão nasceu desse medo, e justamente no
momento de jogar os seus 50 metros de tranças, no último domingo, recuou.

Freixo tinha boas propostas acerca da educação, saúde e transporte, o
que seria fundamental para que Rio mudasse, se desenvolvesse de forma
correta. Rapunzel poderia ter se entregue ao novo, mas não o fez.
O final dessa história foi um Príncipe triste lá embaixo, sem os fios do Rio
de Janeiro como escada, impedindo a mudança de ser feita e o sonho, realizado.
"No meio de um inverno eu finalmente aprendi
que havia dentro de mim  um verão invencível."

 Albert Camus