quarta-feira, abril 25, 2012

terça-feira, abril 17, 2012

What if?

Se a gente chegasse mais cedo, talvez o trem fosse o mesmo. 
Poderia me sentar ao seu lado, como esses descuidos do 
acaso e você tentaria descobrir meu nome. 
Talvez, fingindo indiferença, você olharia para a janela por 
alguns segundos, o tempo preciso para que meus olhos
te decorassem sem que fossem flagrados.
Poderíamos, talvez, até mesmo conversarmos. Que dia,
hein! 
Pois é, tempo chuvoso.. Será que amanhã
faz sol? Não sei, não tô contando com isso. 
Tempo é
coisa de maluco. Ah, com certeza...
nós, sem percebermos,
já estaríamos sendo nós. Mas agora nos seria permitido, acredito.
Talvez se a esquina fosse mais longa, eu não conteria o impulso 
de te beijar e beijar e beijar e beijar.. Você conseguiria olhar
pra mim diretamente, porque eu deixaria de desviar os olhos.




Enquanto trocava de calçada e você
passava direto fingindo não me conhecer,
me dei conta do quanto nossa linhas foram
desestruturadas por termos perdido,
lá atrás, o trem..





(Um dos meus textos preferidos, escrito em 2009.)

segunda-feira, abril 16, 2012

Sobre o dia 10


"Nós nos apaixonamos.."

"O sorriso que dei antes dos meus olhos
fecharem pra beijar você, seu casaco preto
fazendo um esconderijo sem jeito no banco
de trás, nossas mãos geladas e o "Esse beijo
eu 
já queria ter dado há muito tempo" ao final, foram detalhes de uma madrugada
tão linda, (..) que nem com todas as linhas
do mundo saberia descrevê-los a fundo."

terça-feira, abril 03, 2012

Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
Dalton Trevisan
(Maravilhoooooooso!)